Entrem na minha cabeça somente por um dia, desbloqueiem os meus medos e deixem-me sentir por escassos segundos livre, vejo-me ao espelho e desvio o olhar porque esta estrada mostra todos os meus medos, mas brevemente tudo desapareça por entre o tempo que não cessa por nenhum motivo humanamente conhecido...
Por favor deixem-me desaparecer, escamar esta pele e deixa-lá por aqui para assim poder ser um zé ninguém deixando de contemplar estas amizades que se desintegram, já perdi demasiados amigos durante esta passagem, alguns sem retorno possivel a não ser nas memórias, e neste momento as paredes estão-se a fechar, talvez para alertar-me, os meus sapatos já não servem para tamanha caminhada, sinto-me um livro que não pode, não consegue ser lido, já estou saturado de perder amigos, amizades.
E estas memorias vão-se desvanecendo por entre as reminiscências da minha mente, eu não quero que desvaneçam mas lentamente vão sumindo, desaparecendo e levando consigo um pouco de mim, deixando-me no vazio, cada vez mais vazio, e não consigo avançar, não evoluo para outro estado de sentimento interior, e no entanto após o suor despendido para manter estas memorias, estas sensações, estas partes da minha vida que marcaram-me e moldaram-me no Ser que sou hoje tudo continua a sumir por entre a minha visão paralisada de raciocínio capaz de o evitar... peço que entrem na minha cabeço apenas por um dia, vejam como este caminho não e fácil, não deixem que estas memorias que criaram sumam sem rasto nenhum, que perca mais amigos pelo caminho, mais um pouco de mim, que estas paredes completem o seu ciclo de movimento e isolem-me do mundo exterior, que impossibilitem a abertura do meu livro, dos meus sentimentos, da minha razão, da minha força, não cometam erros, não desperdicem o tempo tão escasso que nos foi fornecido...